Não me aguentei, deixei meus trabalhos da universidade de lado, saí do meu quarto apenas para os compromissos diários e inadiáveis e acabei o livro.
Aliás, esse acaba sendo o destino da maioria das obras que caem nas minhas mãos. O único livro que li até hoje em etapas, capítulo a capítulo com grandes espaços entre eles, foi Crime e Castigo.
Mas falarei do livro de Dostoiévski em uma outra ocasião. Deixa eu tecer aqui meus comentários e impressões sobre a obra de Carlos Ruiz Zafón.
O livro é eclético e acredito que acolhe muito bem diversos tipos de leitores. Há uma história da passagem de menino a homem, há histórias de amores difíceis, há guerra e História, há suspense e reviravoltas.
Os personagens são interessantes e cada um me emocionou de alguma forma. Ri várias vezes com alguns deles, anotei os pensamentos de outros. Só fiquei chateada de perceber a unidimensionalidade do vilão, que ao contrário dos outros personagens da trama, era apenas a encarnação do Mal, não deixando espaço para se tecer qualquer outro tipo de opinião sobre ele.
Mas acho que o que mais me emocionou foi a paixão que o protagonista demonstra pelos livros. Os capítulos iniciais, quando Daniel descobre e devora o livro “A Sombra do Vento”, são de cativar qualquer leitor, convidando-nos a revisitar o livro que iniciou nossa paixão pela Literatura! Ou pelo menos essa foi a minha vontade.
Essa paixão provoca em Daniel a vontade de descobrir mais sobre o autor do livro, o misterioso Julián Carax, cuja obra pouco conhecida vem sendo destruida por um incendiário que parece ter como único propósito na vida eliminar qualquer traço das obras de Carax da face da Terra.
A busca se estende por vários anos. Daniel cresce, se apaixona, descobre amigos e inimigos e mais do que tudo, vai descobrindo a vida. E a cada nova descoberta em relação ao seu misterioso escritor, assusta-se ao perceber as semelhanças entre suas vidas.
A última coisa que quero comentar é sobre o desfecho, então, para não estragar a brincadeira de quem ainda não leu o livro, vou escrever na cor branca. Para ler essa parte, que apesar de não muito comprometedora pode delatar alguns aspectos do fim do livro, é só selecionar o texto abaixo.
Achei o desfecho extremamente Hollywoodiano. Aliás, várias vezes durante a leitura consegui imaginar o texto sendo transposto com facilidade para o Cinema. Não sei se isso é bom ou ruim, mas… Acho que o livro poderia ter deixado uma impressão mais forte se tivesse parado antes do Post Mortem.
Recomendo muitíssimo a leitura deste livro. Para os apaixonados pelas letras e para os que ainda querem se apaixonar por elas!
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